A viúva acusada de mandar matar René Sena, vencedor da Mega-Sena, estava ansiosa para colocar as mãos na fortuna e curtir a liberdade, longe de suas origens de cabeleireira do subúrbio carioca. Faltava apenas a Justiça reconhecer que o casal vivia em União Estável. Parecia tranquilo, para quem já enfrentou um difícil processo criminal e foi absolvida. No entanto, não esperava que sua enteada Renata Sena fosse tão longe para impedir que a madrasta usufruísse da herança deixada por seu pai, alegando que o casal jamais viveu em União Estável. E conseguiu!

De qualquer forma, Adriana não teria direito à partilha de bens, pois René ganhou na Mega-Sena antes de conviver com a jovem. Mesmo assim, ainda lhe restava o direito à metade do valor que a enteada recebesse por herança, sobre os bens onerosamente adquiridos – regra específica de sucessão entre companheiros – cujo total gira em torno de R$100 milhões de reais, bloqueados pela justiça carioca.

Para reconhecer a União Estável a relação deve ser pública, contínua e duradoura, com intenção de constituir família. A filha do ex lavrador convenceu o Tribunal de que o interesse da madrasta não era o de constituir família, mas, exclusivamente, o de enriquecer. Para tanto, provou que a viúva tinha um amante, comprou uma cobertura sem o conhecimento de seu pai, e ainda conseguiu que ele assinasse uma quitação de dívida de R$4,5 milhões, antes de seu assassinato.

Como o Tribunal declarou a não existência da União Estável, a decisão tem efeito retroativo: a viúva nunca foi viúva, a enteada e a madrasta nunca existiram, o amante era mero namorado, e a ex-cabeleireira… volta a ser cabeleireira.

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