Nasci em época que mulheres desquitadas eram discriminadas. Amigos lhes viravam as costas, elas perdiam a guarda dos filhos, sofriam violência física e moral nas ruas e os filhos (me incluo aí) eram discriminados nas escolas pelos colegas cujos pais, felizes ou infelizes, se mantinham casados.

Não me lembro da bandeira da criminalização dessas condutas…

O “habeas corpus” do casamento foi promulgado no final de 1977 com a Lei do Divórcio. Conquistamos a liberdade legal, mas faltava a social e, neste ponto, o seriado Malu Mulher serviu como um canal para divulgar os bastidores da vida dessas mulheres, sem pieguismo ou vitimação. Aos poucos fomos adquirindo respeito e admiração, independente da condição de casada ou divorciada, a tal ponto que a liberdade de ser feliz falou mais alto do que a fachada do casamento, o que levou a uma enxurrada de divórcios e, o que era a regra, passou a ser exceção.

Com a conquista, não me recordo de mulheres se expondo com outros homens para imporem direitos já obtidos. Fomos inteligentes para conquistar a igualdade por reconhecimento e não empurrando goela abaixo da sociedade uma aceitação sob pena de prisão. Se o termo é conquista, o caminho não é este.

Sinto um momento parecido no ar…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *